A minha história com Bela é diferente de
todas as outras histórias de amor. Pode não parecer e, de fato, não parece. Mas
é. Não por conta das circunstâncias, não por conta do que ocorrera, mas por
causa dela. A pessoa mais louca que eu tive a oportunidade de conhecer, que
transformou cada dia do nosso cotidiano num conto de fadas. Se hoje posso dizer
que estou vivendo um sonho, o mérito é todo dela.
~
A conheço desde a infância. Nunca estudamos
juntos, mas ela era prima do meu melhor amigo. Danny Jones. Um amigo daqueles
mais chegados que irmão. Não consigo me lembrar do dia em que conheci o Danny.
O vejo nas fotos do meu aniversário de um ano, no colo da minha mãe, com uma
chupeta rosa. Ela não largava aquela chupeta. Era o segredo dele. Com quatro anos,
Danny ainda a chupava. Ela era velha e sem cor, seus dentes eram tortos, todos
zombeteavam sua prática, mas não havia nada no mundo que o fizesse largar a
chupeta.
A história que sua mãe contava era que, um dia,
quando foram a Londres visitar sua irmã e sua pequena sobrinha, Danny gostou da
chupeta rosa sobre a mesa. Ele tinha menos de um ano e sua prima era recém
nascida. Ninguém percebeu que Jones levou a chupeta pra casa. Só se deram conta
da traquinagem do meu pequeno amigo quando já tinha se tornado obsessão. Ele só
largou a chupeta quando foi ao dentista pela primeira vez, aos cinco anos, mas
foi um período complicado para ele... Deixar sua amiguinha cor-de-rosa de lado
era um passo doloroso. (Eu sempre soube
das tendências homossexuais de Danny.)
Kathy e David Jones eram como tios para mim.
Como irmãos para os meus pais. Sempre foi assim e sempre será.
Mas a história não é sobre eles.
Quando eu tinha dez anos, no primeiro dia da
primavera de 1998, a cidade de Windsor parecia mais florida que o normal.
Lembro-me perfeitamente daquele dia.
- Ei, Tom! – Danny apareceu em meu quintal,
resfolegando. As mãos apoiadas nos joelhos denunciavam seu cansaço. Eu ainda
vou entender por que crianças têm essa mania de apenas se locomover correndo.
Qual é o maldito problema em simplesmente andar? – Vamos lá em casa, minha
prima chegou de Londres.
A ideia não me animou nem um pouco. Eu sabia a
quem Jones se referia. À sua prima estranha que vestia roupas estranhas, falava
coisas estranhas e fazia coisas estranhas.
Totalmente estranha.
- Que prima, aquela que você falou que cultiva
sapos?
- Rãs.
- Tanto faz...
- É, é a Bela.
- Pra que eu tenho que ir? – Minha vontade era
mínima. Harry havia ganhado uma box com todas as temporadas de tartaruga ninja
e estava vindo para minha casa, eu daria minhas bolas para assistir aquilo
tudo. Era o programa perfeito para um Sábado.
- Minha mãe me deixou chamar alguns amigos da
escola para a Bela conhecer, eu chamei Abbie Williams!
Oh, então agora as coisas mudaram um pouco.
Abbie Williams?
Eu não tinha certeza se sabia sobre ereções e o
poder das garotas em meu corpo – talvez eu soubesse, sempre fui muito talentoso
com o universo feminino –, mas ninguém me dava mais calor ao sul que Williams.
- Ela vai?!
Esqueci completamente do Harry. Abbie Williams
era o sonho de todos os garotos da minha sala. Ela era linda, legal e assinara
meu gesso, um ano antes, com dois corações e um "xo". Foi o
suficiente para roubar meu coração.
- Vai!
Diante da confirmação que eu esperava, decidi:
- Vou colocar um casaco.
Bom, mesmo com todo aquele clima florido da
primavera, o vento ainda era inconveniente.
A casa do Danny estava cheia de seus parentes.
Eu conhecia todos eles e era querido e amado como se fosse um Jones. Depois de
cumprimentar muitos rostos familiares, deparei-me com a coisa mais linda do
universo. No universo daquela época. Abbie estava conversando com suas
amiguinhas no jardim e, em seus cabelos loiros levemente encaracolados, estava
pendurada uma flor lilás. Eu não resisti a caminhar até lá.
- Oi, Tom! Estamos brincando de barbie. Quer
ser o ken? O nome dele é Leonardo.
- Leonardo como o das tartarugas ninjas?
– sorri, achando-me esperto.
Eu tinha essa maldita obsessão por tartarugas
ninjas.
- Ahn? Não! – ela gargalhou. – Leonardo como o
Leonardo Di Caprio!
Certo, isso tinha sido a coisa mais idiota do
mundo. Mas quem liga? Estamos falando de Abbie Williams. Ela era demais.
- Ah... Certo. Eu vou ali falar com o Danny. –
dei as costas pra elas com as mãos soando em bicas.
Elas chamaram-me para brincar com elas! Era
inacreditável.
Trombei com Danny perto da cozinha.
- Te achei, Tom! A minha prima chegou! Vem! –
fui praticamente arrastado até onde toda a família da parte de Kathy, mãe do
Danny, estava.
Um homem bem arrumado saltou do carro e abriu a
porta do carona, de onde uma moça igualmente elegante saiu. Lembro-me de tê-los
achado muito imponentes. Eu poderia borrar as calças só de ficar perto do Sr.
Johnson.
A porta de trás se abriu no instante seguinte.
Aquela foi a primeira vez que vi Bela Jones Johnson e o que eu senti foi uma
enorme vontade rir.
A garotinha que saltou do banco traseiro com o
nariz empinado parecia extremamente metida. Daquelas que dá vontade de bater na
rua.
Certo, eu não tenho esse tipo de vontade.
Bela era magrinha, tinha o cabelo bonito, bem
liso e com uma franja que lhe conferia um ar mais infantil. Usava (#) um sobretudo
amarelo que estava aberto e deixava que víssemos sua bermuda de tactel,
parecendo uma daquelas que os surfistas sem a menor sensatez usam; a regata era
de malha preta. Ela calçava um all star azul claro com estampa de joaninhas que
não combinava com absolutamente nada do resto do visual. Mas, mais engraçado que
tudo, eram os óculos escuros em forma de coração. Caminhou diretamente até
Danny, bebendo o seu sprite no canudinho.
- Oi, Jones! – sua voz era gostosa de escutar
como uma dessas vozes de crianças que dublam personagens fofos em filmes
animados.
- Oi, Bela! – eles se abraçaram.
- Eu te trouxe um presente. Está na mala. É uma
rã chamada Mirtis, você vai gostar dela. Mas, olha, se não cuidar da Mirtis
direito, vou pisar nos seus testículos enquanto dorme.
Acho que só tive tempo de arregalar os olhos.
Ela sabia o que era testículo? Eu não tinha certeza se Abbie Williams sabia.
Enquanto eu falava coisas como "fofo",
ela dizia "vou esmagar seus
testículos".
- Obrigado, vou cuidar dela, prometo. –
qualquer homem cuidaria diante dessas circunstâncias – Esse é o Tom, meu melhor
amigo.
- Oi, Tom, gostei do seu cabelo. E desse furo
na sua bochecha.
- Oi.
Eu não era tímido, mas estava tímido diante
dela. Bela era muito pequena para parecer tão descolada e intimidadora.
Garotas não podiam ser intimidadoras como Bela,
e sim adoráveis como Abbie.
A família paparicou os Johnsons durante toda a
tarde e as meninas que Danny convidou ficaram brincando de Barbie no jardim de
trás, sem socializarem com ninguém além delas mesmas. Típico de garotas.
Eu, no entanto, apenas observei tudo que estava
acontecendo. Fiquei perto de Abbie, mas nem sequer conversamos. Danny e Bela
não se desgrudaram e, para falar a verdade, eu estava morrendo de ciúmes. Jones
era meu amigo, não podia me trocar por uma garota estranha que cria rãs e fala
sobre nossas bolas.
Veja bem, Danny sempre fora minha pessoa
favorita do mundo. Um dia, quando éramos menores, Vince Anderson, um babaca
desde a pré-escola, rabiscou todo o desenho do Danny sobre animais selvagens e,
mais tarde, eu o belisquei por vingança.
Nossa amizade sempre fora o mais importante
para mim, não era justo que Bela Johnson chegasse e interferisse em tudo. Por
Deus, eu era quase mais um Jones do que ela!
No dia seguinte, Danny me disse que sua prima
achou-me esquisito e perguntou se eu era solitário. Se tinha alguém esquisito
ali, esse alguém era ela.
E eu nunca estive errado sobre isso.
Bela morou em Windsor por dois anos. Seu pai
era gerente geral de uma rede de hotéis nacional e, com o aumento do turismo na
nossa pequena cidade, passou um tempo aqui. A verdade era que ele poderia ter
ficado em Londres e mandando alguém para cá. Entretanto, por motivos
familiares, Sue, sua esposa, quis vir – foi
uma ótima ideia, Sra. Johnson!
Mas as coisas sempre seriam melhores em
Londres. Uma hora ou outra, teriam de retornar à capital.
Nos dois anos em que ela esteve aqui, estudou
na única escola particular da cidade, que ficava ao lado do castelo de Windsor.
Era caríssima por isso. Os Johnsons não eram tão ricos assim, mas prezavam pela
educação mais que qualquer família que eu já tenha conhecido em toda a minha
vida.
Foi estranho quando Bela teve de voltar
para sua cidade natal. Eu a achava muito divertida – toda a má primeira
impressão havia sumido logo na primeira semana. Ela tinha manias estranhas,
falava coisas sem nexo, tinha uma criatividade peculiar, mas não deixava de ser
legal. Todos sentiríamos falta dela.
Dougie Poynter e Harry Judd eram meus outros
melhores amigos e, é engraçado lembrar disso hoje, mas Dougie chorou como um
bebê quando Johnson foi embora. Ele era perdidamente apaixonado por ela, dizia
com convicção que Bela era sua alma gêmea. Nós ficamos muito sensibilizados com
sua dor, até porque acreditávamos piamente naquele amor. Os dois eram perfeitos
um para o outro. Poynter era exatamente como ela. Eles até tinham um criadouro
de minhocas nos fundos da casa de Danny. Realmente romântico.
Uma vez, roubei algumas minhocas para
trocar por figurinhas com o filho do dono da loja de artigos de pescaria. Deu
muito certo por um lado. Ganhei figurinhas valiosas e fiquei muito próximo de
completar meu álbum das tartarugas Ninjas – não é nenhuma surpresa que meu
álbum fosse delas. Por outro lado, tive que aturar Bela chorando por dias e
usando somente preto para representar seu luto pela morte das pobres minhocas.
Dougie parou de falar comigo durante quase vinte e quatro horas e eu fiquei
muito ressentido. De verdade. Com o drama de Bela, acabei me sentindo mal pela
morte dos anelídeos.
Bela veio passar o verão aqui, em 2000. Reparei
que ela estava mudada. Seu cabelo estava diferente, mais bonito, mais ondulado,
talvez. Ela estava usando sutiã, mas não tinha nenhum vestígio de peito ali.
Mesmo assim, parecia muito diferente e estávamos apenas meio ano sem nos ver.
De tão apaixonado, Dougie planejava
declarar-se e pedi-la em namoro. Ele tinha treze, ela tinha doze e, naquela
época, ninguém namorava com essa idade. Não era como hoje em dia. Fiquei
chocado, mas ele disse que precisava fazer aquilo, ela era a mulher de sua vida.
Harry chegou a dizer que os dois se casariam
aos dezesseis – porque Bela queria casar virgem e Dougie não cogitaria a ideia
de passar dos dezesseis sem ter feito sexo – e que a lua de mel seria mesmo na
lua, e ele passaria mel no corpo dela na ora da cópula, para que fizesse jus ao
nome. “Romântico e original!”, foi a opinião de Dougie.
Um conselho: nunca acredite nas previsões
de Harry.
Nós quatro armamos todo um cenário romântico no
parque, à beira do rio Tamisa com o castelo ao fundo. Harry roubou duas taças
de sua mãe, Danny pegou a toalha de mesa de fios egípcios que seus pais
ganharam no casamento e eu peguei suco de uva em casa para fingir que era
vinho. O jantar seria Doritos.
Quando Bela chegou, Dougie parecia passar
mal. Estávamos espionando atrás de uma árvore que nos garantia uma visão
privilegiada de toda a cena. No entanto, tudo deu errado. Descobrimos que Bela
era alérgica ao pozinho laranja do Doritos e odiava suco de uva. Dougie ficou
tão transtornado que vomitou sobre a toalha de mesa dos Jones, antes que
conseguisse dizer qualquer coisa. Com o susto, Bela entornou a taça com suco na
toalha, manchando-a ainda mais e, obviamente, quebrando a taça.
Dos quatro, eu fui o único que não fiquei
de castigo.
Nem o Poynter escapou, pois contou aos pais que
estaria estudando na casa do Harry quando, na verdade, estava estragando
pertences alheios com a mistura nada agradável de suco gástrico com bolo
alimentar semi digerido. Pra falar a verdade, eu até poderia ter ficado de
castigo por estar envolvido, porém, naquele período, a única coisa com a qual
minha mãe se preocupava era a minha irmã recém nascida. Sorte a minha.
Por isso, no dia seguinte, eu fui o único que
saí com Bela para o parque, como fazíamos todas as tardes. Era a primeira vez
que estávamos sozinhos.
- O que foi aquilo tudo ontem? – ela me olhou
intrigada. Usava os óculos escuros em formato de coração. Bela era a única
menina de doze anos que usava óculos escuros com frequência. E a única menina
que eu conhecia que usava óculos em forma de coração.
- Dougie tentou ser legal... – Procurei
não expor meu amigo. Regra masculina.
- Mas... Por que, exatamente?
Nós caminhávamos sem rumo pelo parque, lado a
lado.
- Acho que quem deve lhe contar é ele.
- Ok. Mas eu acho que já sei a verdade.
- Sabe?
Ela balançou a cabeça indicando que sim.
- Dougie quer ser meu namorado. – disse com a
voz doce. Ela parecia triste. – Mas eu não gosto dele, eu não quero ser
namorada dele. Poynter é só um amigo pra mim. Quero que meu namorado seja outra
pessoa.
- Quem? – perguntei curioso.
Não, eu não tinha absolutamente nenhum
interesse por ela naquele momento. Eu a via estritamente como amiga, Abbie
Williams ainda era minha sina.
- Desculpe, Tom, mas você não pode saber.
- Tudo bem. – dei de ombros.
- E você, de quem você gosta?
- Uma menina da minha sala.
- Abbie?
- Como sabe?! – Assustei-me. Eu senti que
estava corando naquela hora. Não queria que Bela soubesse das minhas paixões.
- Todos gostam da Abbie. – Bela rolou os olhos.
– Olha! Um esquilo!
- Nem todos, Dougie gosta de você. – Falei,
indo atrás dela enquanto ela perseguia o pequeno animal como uma
esquizofrênica.
- Dougie é estranho. – ela disse, por fim.
Não falamos mais naquilo.
O dia da ida de Bela chegou e foi tão
complicado quanto da primeira vez. Mas nada foi pior do que quando, no verão
seguinte, Danny avisou que ela não viria. Ao invés disso, ele iria para Londres
visitá-la. Passaríamos aquele verão sem o Danny e sem a Bela. Eu não pensei que
fosse ficar tão chateado...
~
Quando fiz catorze anos, Bela já era alguém sem
a menor importância em minha vida. Só me lembrava dela quando Danny falava
alguma coisa, ou quando Dougie zombava de si mesmo ao recordar de sua antiga
paixão insana. Nós estávamos crescidos. Diferentes.
Agora tínhamos pentelhos.
Estávamos começando a mergulhar de cabeça
na adolescência.
Depois de finalmente beijar Abbie Williams, desinteressei-me
completamente por ela. Na verdade, passei a adotar a política de nunca ter
muito interesse numa garota. Quanto menos interesse, mais delas eu conseguiria.
E essa era a porra do negócio. No High School, inclusive, éramos respeitados
pela quantidade de garotas que passava por nossas mãos.
Eu, Danny, Harry e Dougie, os
inseparáveis, estávamos no topo da lista de sonhos de consumo de qualquer
menina daquela escola. E eu me orgulhava profundamente disso.
Bom, seria mentira se eu dissesse que não me
orgulho até hoje.
Aos dezesseis, fumei meu primeiro cigarro e
perdi a virgindade com uma universitária Francesa. Desde então, começaram dois
dos meus vícios.
Naquela idade, qualquer garoto normal era
viciado em sexo. Eu e os caras não estávamos fora dessa média. Pelo contrário,
estávamos totalmente dentro. Harry era o mais adiantado nesse quesito, sempre
ficava com as melhores dentre as melhores, poderia escolher quem seria sua
parceira na cama como quem escolhe uma roupa de baixo.
As meninas costumavam gostar da gente
porque fazíamos parte dos principais na banda da escola. Eu e Danny éramos os
guitarristas oficiais, eu também tocava piano quando Clemency Donalds não
podia. Dougie era o único de toda a escola que sabia tocar baixo direito e
Harry estava entre os três principais bateristas. Costumávamos tocar nos
eventos escolares. Danny e eu também cantávamos, mas esse era um dom mais dele
do que meu. Quero dizer, eu não gostava de cantar tanto quanto ele. Tinha
vergonha e só cantava em casos de extrema necessidade. Harry, além de todo o
seu prestígio na banda, participava do time de futebol e era bom. Quase fora
eleito como capitão no ano anterior, mas Francis Raymond era insuperável.
Você já pode notar o quanto Judd era bem cotado
entre as vaginas, não?
E eu não estava tão atrás.
O segredo sempre foi autoconfiança.
Aquele período tinha sido o mais badalado de
toda a minha adolescência, especialmente quando meu avô me deu o antigo carro
da sua coleção de relíquias. Eu não pude acreditar. Quase chorei quando ganhei
o Pontiac vermelho conversível, só conseguia pensar em quantos peitos a mais eu
conseguiria quando passeasse por ali pilotando aquela coisa. Eu tinha plena
consciência de que a cidade era pequena e todos sabiam que eu não era nem um
pouco rico, mas, ainda assim, não pude deixar de me sentir importante com um
carro daquele.
- Cara... Você tem muita sorte... Muita sorte!
– Danny não parava de repetir. Contando com essa, já devia ser a sexta ou
sétima vez que ele dizia a mesma coisa. Talvez, se eu não o conhecesse como
minha bunda, acharia que ele estava de olho gordo e a qualquer momento um
meteorito poderia cair exatamente sobre o carro.
- Você vai ter que me emprestar esse carro... –
Foi a primeira coisa que saiu da boca de Dougie assim que o viu na garagem.
A cada elogio, maior meu ego ficava.
- Assim que você tirar a carteira. – rebati e
ele bufou, lembrando-se da cruel realidade. Poynter não sabia dirigir. – Onde
está o Harry?
Danny apoiou-se no carro antes de responder com
um sorriso ladino:
- Ele ligou pra mim mais cedo... Está saindo
com uma garota do berço de ouro. – era como chamávamos as meninas do colégio
particular, onde Bela estudou quando morou em Windsor. – Thalia Hoppus, se não
me engano.
- Já é a terceira vez que ele sai com essa... –
Dougie comentou pensativo. – Será que vai rolar alguma coisa séria?
- Talvez... Ela é bem gostosa, pelo que eu me
lembro. – Comentei, o sorriso brincava enviesado em meu rosto. Eu já tinha
ficado com Thalia uma ou duas vezes. Nada que tivesse marcado minha vida.
Aliás, talvez eu só me lembre dela hoje por ter sido a primeira namorada séria
de Harry. E, mesmo assim, não lembro nenhum detalhe da noite em que estivemos
juntos.
Não que ela tenha feito uma má performance. No
geral, pra mim, nenhuma garota atua realmente mal, nós sempre arrumamos um
jeito de extrair o melhor delas. Mas eu nunca tinha tido uma garota marcante
que me fizesse endurecer no meio de um almoço de família só por pensar nela,
mesmo estando olhando pra minha tia Gloria com sua pinta cabeluda no buço que
mexia como um bloco de gelatina.
Céus, por que eu fui me lembrar disso?!
Urgh.
Tudo na minha vida parecida estar bom. Não
ótimo, nem ruim. Apenas bom. Eu era feliz, minha família era ótima, meus amigos
eram os melhores possíveis, eu tinha meninas comigo sempre que queria, tinha um
carro demais... O que mais poderia querer?
Eu e Danny fazíamos aniversário em datas
próximas. Depois do sucesso da festa de dezoito de Harry, meses antes, Jones se
animou para fazer uma parecida. Então eu decidi fazer uma comemoração simples,
mais íntima, já que a festa de Danny estava pra chegar e eu poderia me divertir
à vontade.
Eu tinha uma namorada, na época. Seu nome
era Lauren, mas era conhecida como Ginger por causa dos cabelos vermelhos. Ela
era extremamente ruiva, tinha sardas e olhos esverdeados. Seus peitos eram
enormes... Eu sabia que não era apaixonado por ela, mas com certeza tinha uma
queda por seu par de seios.
Ginger também não gostava de mim.
Eu nem mesmo sabia o que estávamos fazendo
juntos. Mesmo assim, nunca cogitei a possibilidade de traí-la. Ela poderia me
trair com quem quisesse, mas eu nunca pensaria em fazer o mesmo.
Até o dia da festa de dezoito anos do
Danny.
- Eu não sabia que tinha convidado tanta gente,
cara. – Falei em tom alto para que ele me ouvisse.
- Ahn? – Ele gritou, fazendo careta.
- Você convidou muita gente! – tentei
aumentar o volume da minha voz, que competia furtivamente contra o volume da
música.
- Fala mais alto, cara! Não to te ouvindo!
- Caralho... – murmurei, o puxando pelo braço
na direção oposta das caixas de som. – Por que diabos você chamou tanta gente,
Jones?
- Queria uma festa digna!
- Isso aqui está insuportável! Não dá pra
chegar até o bar!
- Ah, cara... Desencana! – ele abanou o ar.
Podia apostar minha bunda que ele já estava ficando bêbado. – Ah, tenho que te
mostrar uma coisa! – Danny exclamou animado, olhando envolta. – Só vai ser
difícil de achar... – suspirou. – Fiquei aqui, ok? Não saia daqui. Eu trago uma
cerveja quando voltar.
Dei de ombros. Por mim estava ótimo. Ali estava
menos lotado e tinha uma boa visão da pista de dança, dava pra ver as meninas
balança seus traseiros e, por hora, era tudo que eu precisava.
Acendi um cigarro, sentando-me no banco que
jazia encostado à parede, pouco me fodendo para a política antitabagista
aplicada a locais fechados. Eu não era o único, de qualquer forma.
Estava imerso em meus pensamentos quando uma
imagem focalizou-se em minha frente. Duas garotas. Thalia Hoppus e uma
desconhecida.
Eu tinha certeza que Thalia falava alguma coisa
comigo, mas não consegui prestar atenção. A garota ao lado dela era
hipnotizante. O corpo escultural, levemente corado, me deu água na boca. O
cabelo era longo, volumoso, brilhante, perfeito. O nariz empinado e as
bochechas rosadas davam um ar infantil ao seu rosto. Seus olhos eram escuros e
estavam cercados por cílios longos que lhe proporcionavam uma lentidão ao
piscar. Ela parecia angelical. Malditamente angelical.
O corpo de mulher contrastava com o rosto de
criança. O branco de sua pele não era pálido. Pelo contrário. Era como se ela
não fosse Inglesa. Mas o que mais me intrigou não foi sua beleza fora do comum,
e sim o fato de eu ter a forte sensação de que a conhecia de algum lugar. Eu
teria me lembrado de alguém como ela caso já tivéssemos estado juntos. Suas roupas (#) também me chamaram atenção. Ela não estava de acordo com a moda. Parecia retrô.
Como o meu carro.
Oh, sim... Ela, meu carro, eu...
Era algo que combinava extremamente bem em
minha mente.
- Tom! Está me ouvindo?!
- Ah... Er... Desculpe, Lia. – sorri sem graça.
– Eu estava distraído.
- Percebi. – ela cruzou os braços, irritada. –
Sabe onde está o Harry?
- O vi mais cedo perto do bar.
- Ok. – virou-se para a desconhecida – Amiga,
se importa de ficar aqui com ele? Sei que não, você é louca, entretém qualquer
um. – ela riu de si mesma. A tal menina deu de ombros com um sorrisinho
inocente. Era quase como se ela me provocasse... – Fui muito mal educada por
não apresentar vocês dois, mas eu preciso ir. Seja legal, Tom. – Thalia nos
deixou ali, saindo em meio à multidão.
- Oi. – a menina falou, sentando-se ao meu lado
no banquinho. – O que faz aqui sozinho?
Sua voz era remotamente familiar.
- Estou esperando o Danny. O dono da festa,sabe?
– expliquei. Talvez ela não o conhecesse.
- Sei sim. – ela riu quase como se eu tivesse
contado alguma piada. – Eu o conheço bem.
- Sério? De onde? – perguntei curioso. Duvido
que Danny nunca tivesse ficado com ela. Ele não seria burro a esse ponto.
- Da vida. – ela balançou os ombros e os pés,
que não tocavam o chão. O banco era alto.
- Oh... Entendo.
Obviamente, ela e Danny ficaram. O que era uma
merda fodida. Aquela menina era... Pecaminosamente... Gostosa.
- Não! – ela riu de novo. Eu gostei de sua
gargalhada. – Não é o que está pensando. Eu tenho namorado. Você gosta de pescar?
Fiquei um tempo em silêncio. Mulheres mudam de
assunto muito rápido, sempre soube disso, mas aquilo era um exagero.
Primeira informação: Merda. Ela tem namorado.
Mas é claro, uma dessas nunca estaria sozinha.
Segunda informação: ela quer saber se eu gosto
de pescar. Ok... Não. Não gosto. Odeio, pra falar a verdade. Mas se ela
perguntou, deve ser porque gosta, então...
- Sim, gosto.
- Sério? Que antiquado! Pescar me deixa com
sono.
- Er... É. – cocei a nuca desconfortável.
Mas que diabos...?
- Sabia que não se deve fumar em lugares
fechados? – apontou para o meu cigarro.
- Sabia, mas eu tava com muita vontade.
- Oh, isso é ruim... Você é viciado?
- Um pouco.
- Temos que trabalhar nisso, Tom!
Comecei a entender por que Thalia disse que ela
era louca. Vi Danny ao fundo, olhando de um lado pro outro como se quisesse
achar alguém.
- Lá está o Danny. Ele deve estar me
procurando. – Falei.
- Por que não vai até lá chamá-lo? Eu já andei
muito por aí e esses sapatos não são os mais confortáveis. – assenti com a
cabeça, vendo uma oportunidade de perguntar ao Jones onde é que ele achou
aquela garota. – Te espero aqui. – ela lançou-me um sorriso que me fez repensar
sobre a decisão de sair de perto dela. No segundo seguinte, me achei ridículo
e, antes que eu socasse minhas próprias bolas, parti na direção de Danny.
- Cara... Pelo amor de Deus, quem é aquela? –
apontei, assim que estava perto o suficiente dele.
- Quem? Ah! – ele sorriu malicioso. – Era quem
eu estava procurando.
- Ela tem namorado... – alertei.
- Você não sabe mesmo quem é? – seu olhar tinha
um quê de incredulidade.
- Er... Eu deveria?
- Tom, é a Bela!
O mundo parou naquele instante. Senti-me o mais
idiota de todos por não ter percebido antes. Quem mais teria aquele jeito
insano? Quem mais teria aquele nariz arrebitado e o sorrisinho inocente? Bela
Johnson era uma pessoa que não se é confundida. E talvez eu só tenha o feito
por nunca ter pensando no quanto ela ficaria linda. Ela não tinha mudado muito,
na verdade. Parecia a mesma Bela de cinco anos antes, só que mais... Mulher.
Quis me bater por não tê-la reconhecido.
- Ela está... Crescida, não?
Danny me olhou com aquele sorriso de cafetão de
novo.
- É, demais.
– me deu dois tapinhas nas costas – Vamos lá.
No caminho até Bela, que pareceu muito mais
curto do que o necessário, fiquei pensando no que fazer. Eu fingiria que sabia
exatamente quem ela era, ou continuava dando uma de quem não lembrou...?
- Você se esqueceu mesmo de mim, não é,
Fletcher? – Foi a primeira coisa que ela disse quando estávamos próximos
novamente.
- Você está diferente! – defendi-me. – Está
bonita. – aquilo era quase um eufemismo. Não era bem isso que eu diria pra ela
se estivesse solteira.
- E você está com cara de bad boy. – ela sorriu
de lado – Exatamente como eu achei que fosse ficar, mas... – Bela deixou a
frase morrer no ar.
- Mas...? – estimulei.
- Não achei que fosse ficar tão... Assim.
Danny me olhou sem entender.
- Assim como? – ele perguntou. Parecia tão
curioso quanto eu.
- Assim, bem vistoso, entende?
Bem vistoso?
Ela estava tentando me elogiar?
- Ah, certo... Obrigado.
- Bela vai passar o verão aqui, acredita? –
Danny disse animado.
- É, vou. – ela sorriu com os lábios fechados.
Parecia ainda mais com uma criança quando fazia isso.
Sorri junto.
- Isso é ótimo! – vibrei sincero. Seria melhor
ainda se ela fosse solteira.
Oh, como seria...
- Amiga! – Lia surgiu perto de nós, suada. –
Vem, vamos dançar! Você já ficou tempo demais sentada e o Drew está te
esperando lá na pista.
Drew. Então esse era, provavelmente, o namorado
dela.
As duas foram correndo de mãos dadas para o
meio das pessoas e eu tentei manter-me numa posição adequada, onde eu pudesse
enxergá-la perfeitamente sem dar bandeira.
Não consegui. Bela estava muito longe, várias
pessoas atrapalhavam minha visão. Mas foi melhor assim, eu a teria atacado caso
a visse dançando.
Desde quando ela era tão gostosa?
- Tom! – senti o peso de um braço em meus
ombros – Você mal apareceu nessa festa, cara.
Dougie já estava alto.
- É.
- Que foi?
- Cara, você não vai acreditar em quem está
aqui, mais gostosa do que nunca.
- Quem?!
- Bela Johnson!
Ele arregalou os olhos.
- Não brinca!
- É sério. – o puxei pra um ângulo de visão
melhor. – Aquela dali, dançando com a Thalia. – apontei.
Dougie não acreditou em mim. Mandou que eu
fosse me tratar e saiu andando pela festa atrás de mais mulheres. Mas eu o
entendia, era inacreditável o quão generoso o tempo fora com ela.
A festa começou a ficar chata quando minha
namorada passou a querer cumprir seu papel. Eu não conseguia pensar em nada
além da Bela, não estava com cabeça pra beijar a Ginger e nem ouvi-la falar
sobre o quão irritada estava por eu não ter ido procurá-la.
- Já entendi que você não gostou, Ginger.
Não precisa repetir.
- Não precisa ser grosso, Thomas.
- Não fui grosso. – rolei os olhos. – Você é
que está falando a mesma coisa o tempo todo.
- Eu tenho o direito de me irritar quando o meu
namorado não dá a mínima pra mim!
- Eu já entendi e já pedi desculpa, porra, o
que mais você quer?!
- Não fale assim comigo, Thomas!
Odiava quando Lauren me chamava de Thomas. Ela
não era minha mãe para falar daquele jeito comigo.
Pode parecer horrível, mas eu quase fiquei feliz
por termos brigado. Só assim ela me deixava em paz.
Passava das três da manha, quando o salão
esvaziou. Parecia menor, uma vez que não estava lotado. Só quem sobrou, no fim
da festa, foram alguns bêbados largados pelos cantos – o que incluía Dougie, dormindo
sobre uma mesa –, casais se amassando em lugares não tão discretos e uns poucos
festeiros fodidos que só iriam embora caso fossem expulsos.
Bela era um desses que ainda dançavam.
Ela parecia incansável. Mal percebi quando eu comecei a me aproximar dela e
coloquei as mãos em sua cintura. Ela deu um pequeno sobressalto, surpresa, e
virou-se de frente pra mim.
Ao contrário do que eu imaginava, ela
sorriu. Dessa vez, não pareceu tão angelical.
Eu quis beijá-la.
Eu quis muito
Beijá-la.
- Oi, Tom.
- Oi, Bela.
- Noite legal, não?
Torci o lábio, mostrando que não concordava.
- Por enquanto, não houve nada de legal.
- Que chato... Eu estou me divertindo. – suas
mãos pousaram sobre a minha, em sua cintura. Infelizmente, foi para romper
nosso contato. – Eu tenho namorado, Fletcher.
Bela virou de costas novamente. Seu cabelo
chicoteou em meu peito e eu a observei caminhar até o banheiro.
Sentia-me inconsequente por conta do álcool,
mas só fui entender a intensidade disso instantes depois, quando me dei conta
de que o tal namorado dela ainda estava ali e poderia muito bem ter visto
quando a abordei daquela forma indiscreta. Aliás, eu não acreditava que ele não
tivesse visto. O salão estava praticamente vazio!
Mesmo assim, não me contive. Vi que Bela tinha
ido ao banheiro e a segui até lá.
E foi só por conta do que aconteceu naquele
banheiro que me recordo tão bem da festa de Jones.
- Tom! – Bela exclamou quando me viu fechar a
porta. – O que quer aqui?
- Uma coisa muito importante.
- Que coisa?
Aproximei alguns passos, vendo-a escorar-se na
parede. Ela não parecia assustada. Seu olhar estava divertido, provocador.
Instigava-me a fazer tudo que não podia.
- Que coisa, Fletcher? – ela repetiu. Eu já
estava próximo o suficiente para segurar sua cintura.
- Preciso me redimir por não ter te
reconhecido. – Diminuí a distância entre nossos rostos fazendo com que nossos
narizes se tocassem. – Desculpa, Bela. – dei-lhe um selinho, e um calor me
subiu dos pés à cabeça, depois concentrou-se numa região mais ao sul.
Você sabe exatamente onde.
Eu a queria muito.
- Desculpo. – ela soprou, nossos lábios
roçaram-se. Puxei seu quadril contra o meu e, quando eles se chocaram, Bela
soltou um suspiro sôfrego, quase com um gemido... Foi o suficiente pra levar
embora o fio de autocontrole que me restava.
Eu não a beijei
ali.
Eu devorei
sua boca como se fosse um pedaço de carne fresca e eu, um cão faminto. Suas
mãos voaram para minha nuca, puxando-me contra si. Eu soube, naquele momento,
que ela queria aquilo tanto quanto eu.
Sem nenhuma prudência, agarrei sua bunda,
imprensando minha pelve contra a sua para que ela entendesse o quanto eu já
estava duro. A ouvi ofegar, e aquilo soou como um aval pra que eu continuasse.
Coloquei Bela sobre a pia, tendo sempre o
cuidado de manter nossos corpos grudados, e ela enlaçou meu quadril com as
pernas. A essa hora, minha cueca estava tão apertada que temi que meu membro do
qual mais tenho orgulho fosse enforcado e virasse um belo chouriço.
Eu precisava começar a me aliviar.
Logo.
Minhas mãos vaguearam por seu dorso até
chegarem ao zíper da blusa que vestia, mas foi nessa hora que a porta abriu.
Eu nunca pensei em tantos palavrões ao mesmo
tempo.
- Drew! – ela exclamou, cobrindo a boca aberta
com as mãos, numa expressão quase teatral.
O tal Drew nos olhava de olhos arregalados. Eu
não conseguia mover um músculo sequer.
Fodeu.
- Oh. My.
God. – Ele falou pausadamente, gesticulando como uma gazela. Era esse tipo
de cara pelo qual ela tinha interesse? Sério?
– Bela, o quão bêbada você está?
- Não to bêbada, Andrew. – sua voz soou
tediosa.
- Tudo bem. Eu só... – ele pigarreou antes de
continuar. – Ia avisar que nós já estávamos indo embora...
- Ok, estou avisada.
- Então... Até mais. Desculpem por atrapalhar.
Tchau, amiga.
Tudo bem, a essa altura eu já tinha uma leve
noção de que eles não namoravam, mas eu tinha que me certificar.
- Ele não era seu namorado? – perguntei, quando
o garoto saiu do banheiro.
- O Drew? Não! Ele é gay. – ela sorriu de lado.
– Tom...?
- Hm? – estava com medo do que viria a seguir.
Eu não queria ter aquela conversa agora.
- Você não gosta de pescar, gosta?
Minha cara deve ter sido hilária.
Era óbvio que eu não poderia esperar nada muito
convencional de Bela Jones Johnson.
- Não. – admiti. Ela gargalhou, depois suspirou
como se tivesse aliviada.
- Ainda bem! Não queria ter que conviver com o
fato de que eu fiquei com um cara que gosta de pescar. – fez uma careta. Eu não
pude conter a gargalhada. Bela continuava a mesma estranha de sempre. Mas agora
isso parecia bem mais uma qualidade que um defeito. – Por que você disse que
gostava?
- Homens mentem para impressionar garotas
bonitas. – falei.
- Então quer dizer que eu sou bonita?
- Eu acho que já te disse isso hoje.
Ela riu e me deu um beijo na bochecha.
- Obrigada, você é muito gentil. – pulou da
pia. – Vou embora, está tarde. A gente se vê por aí.
- Bela, espera! – disse, antes que ela cruzasse
a porta do banheiro. – Está mesmo tarde. Não quer que eu te leve?
Eu não perderia a chance de impressioná-la com
o meu carro.
Não mesmo.
- Não precisa pagar de bom moço, Fletcher. –
ela riu. – E eu gosto de caminhar de madrugada.
Foi então que minha história de amor com Bela
realmente começou.
~

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